ESTUDO Nº: 04 – O CONHECIMENTO DE DEUS
Textos: Salmo 139; Hebreus 11:6

A existência, ser e atributos de Deus são os assuntos do capítulo II da Confissão de Fé de Westminster. A razão de nos dedicarmos a conhecer mais profundamente a doutrina bíblica é porque sentimos a necessidade de bases sólidas para crescer, como indivíduos e como Igreja, em direção ao alvo de Deus para nós.

Não procuramos aqui examinar os argumentos racionais que procuram provar logicamente a existência de Deus, mas nos limitaremos a expor o ensino da nossa Confissão de Fé. Seguiremos basicamente as idéias de João Calvino, ao abordar este assunto nas Institutas, livros I, caps. 1-4.

01. O conhecimento de que existe um Deus está enraizado no entendimento do homem. O homem foi feito à “imagem e semelhança de Deus” (Gn. 1:27) e guarda resquícios desta imagem ainda hoje; certamente, Adão transmitiu à sua posteridade a revelação pura de Deus que recebeu no Paraíso. Há algumas evidências deste conhecimento no entendimento humano:

1.1. A religiosidade é um fato universal. Os gregos, em sua ignorância, acharam melhor adorar tudo, do que não adorar nada, e erigiram um altar ao “Deus desconhecido” (At.17:23). “Não há um povo na terra, por mais bárbaro que seja, que não creia na existência de Deus”. (Tully).

1.2. Há em todo ser humano a consciência de que existe Deus. Paulo ensina que os pagãos refletem, em suas ações, a lei de Deus impressa em suas mentes (Rm.2:15). Em outras palavras, se o homem não cauterizar sua consciência, ela o acusará das coisas erradas. Sêneca, filósofo grego, dizia “Que escorpião é este que fere aqui dentro”, referindo-se à sua consciência. Tibério, um dos imperadores romanos, homem sanguinário, dizia ao seu Senado que morria diariamente, tal era a dor da consciência. Portanto, o conhecimento de Deus “não é matéria que se aprende na escola, mas desde o berço” (Calvino).

1.3. A maioria dos homens, busca a Deus em horas difíceis. Conta-se que o materialista e ateu Voltaire morreu clamando “Ó Cristo”. Freqüentemente vemos que os que com mais força negam a Deus, mais tem medo dEle. Dr. Samuel Figueira narra que Darwin, pouco tempo antes de morrer, queria cultos religiosos em sua residência. E Calvino menciona que Calígula tremia de medo e terror diante das manifestações da ira de Deus (trovões, relâmpagos, calamidades, etc).

02. A existência e o poder de Deus resplandecem na criação do mundo e na providência de Deus em guiá-lo. “Imaginar que o mundo não foi criado por Deus é contemplar um paraíso sem autor”. Deus imprimiu os sinais de Sua grandeza e a pequenez do homem (Sal.8:3,4); Sua glória e majestade (Sal. 19:2); seus atributos invisíveis (Rm.1:19,20); Seu amor e cuidado (Mat. 6:26-30).

Sábios e ignorantes podem admirar na criação a sabedoria de Deus. Não apenas através das ciências que nos revelam os segredos da natureza (biologia, física, química, medicina, astronomia), mas abrir os olhos para perceber o grandioso cenário dos céus e da terra. É isto que a Escritura diz. É este conhecimento “natural” de Deus que está por trás de tantos que procuram sentido que Deus “não está longe de nós”, At. 17:27,28 .

03. O conhecimento da existência e ser de Deus tem sido corrompido e debilitado pela ignorância e maldade dos homens. A semente do conhecimento de Deus não pode amadurecer no coração dos homens, pois estão cheios de superstições, erro, malícia, vaidade, juízo carnal e auto-suficiência. Portanto sempre inventam falsas doutrinas sobre Deus. A origem do politeísmo e idolatria está exatamente aí, ensina Paulo (Rm.1:21-25). Por não conhecer a Deus, adoram falsos deuses pôr eles inventados (Gal.4:8).

  •  Esta tendência do homem em negar a Deus vem da insensatez do seu próprio coração (Sal.14:1; Rom.1:21), da sua soberba (Sal.10:4; Rm.1:22). Daí os crentes serem exortados contra a incredulidade que é fruto da perversidade do coração (Hb.3:12). Portanto, verificamos que o ateísmo não é fruto de pesquisa cientifica ou racional, mas da depravação do coração humano.
  • Diante destes fatos, a Escritura considera todos os homens culpados por não conhecer a Deus e servi-lo em verdade (Rm.1:20b) O testemunho de Deus na natureza apenas serve para deixar todos indesculpáveis (At.14:16,17). A causa da incapacidade do homem em conhecer a Deus está dentro de si mesmo (Rm.3:10-18), e o máximo que ele pode fazer, em sua procura sozinho de Deus , é “tatear no escuro” (At.17:27).

04. Para se conhecer a Deus em verdade, é necessário que as Escrituras nos guiem e encaminhem. Mesmo que a criação fale de Deus, é pela afirmação da Escritura que o crente sabe (tem fé) que Deus criou tudo (Hb.11:3). É nas Escrituras que Deus se revela plenamente como Criador e Salvador. As Escrituras afirmam Sua existência, descrevem Seus atributos e revelam Seu plano para salvar o homem.
Diante do exposto, chegamos a algumas conclusões e aplicações:

4.1. Não há verdadeira religião se não for acompanhada da verdade. É a cegueira humana que tem criado tantos deuses e superstições. Não é verdade que toda religião é boa e leva a Deus. É nosso dever nos esforçar para conhecer a verdade, e procurá-lo na Escritura.

4.2. O argumento maior da existência de Deus para o crente é a afirmação da Escritura. Embora a razão, consciência e criação são testemunhos desta verdade, é nas Escrituras que o crente baseia sua fé (Hb.11:3). Esta não é uma fé cega, pois é apoiada na Escritura. Daí, estude os argumentos racionais, use sua razão, mas deixe que a Escritura seja a base de sua fé acima de tudo.

4.3. Os povos e nações que não tem a revelação escrita de Deus, estão condenados pelo que conhecem Dele na natureza. Não há salvação sem o conhecimento de Cristo. Deus não mandará anjos aos pagãos, mas Sua Igreja. Portanto, envolva-se com Missões, ore contribua, envie.

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO:
5.1. Você conhece a Deus?
5.2. Como você prova que conhece a Deus?
5.3. O que o conhecimento de Deus fez na sua vida?
5.4. Para meditar: “É natural que o conhecimento que o homem pode ter de Deus seja limitado, porque sendo Deus infinito, não pode enquadrar-se nos limites da mente humana, finita”.

Que Deus nos faça uma Igreja coerente com nossa fé na Sua existência.

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